<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-577589458629907021</id><updated>2011-04-21T19:18:53.698-07:00</updated><title type='text'>A Razão [ficção]</title><subtitle type='html'>| de João Amaral</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://arazaode2.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arazaode2.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>João Amaral</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>11</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-577589458629907021.post-7194660739301667643</id><published>2008-03-12T19:27:00.000-07:00</published><updated>2008-03-14T06:42:26.420-07:00</updated><title type='text'>Com a idade comunistas</title><content type='html'>&lt;p&gt;- Bom dia&lt;br /&gt;- …&lt;br /&gt;- Para a baixa por favor.&lt;br /&gt;- Isto hoje está do caneco. E quer ir por onde?&lt;br /&gt;- Tanto faz, está tudo encalacrado não é?&lt;br /&gt;- Pois. Não sei de onde sai tanto carro. Do caneco…&lt;br /&gt;- Mas terá havido algum acidente?&lt;br /&gt;- E é preciso?&lt;br /&gt;- Pois…&lt;br /&gt;- Do caneco…olha olha! Ó Lena!... A puta não me ouviu… ou então ouviu e não fez caso… puta! Andei meses a ajudá-la a pagar a renda… para nada. Puta! Isto é uma merda. Isto a partir dos cinquenta é sempre a descer. É como costumo dizer: a partir de uma certa idade começamos todos a ficar comunistas… Fui ontem almoçar com o meu primo e estava a dizer-lhe isto mesmo, todos comunistas, com a idade. Dizia-lhe eu: pois é doutor – o meu primo é médico – isto com a idade todos comunistas. Ele, que me conhece disse-me logo: Ó meu cabrão, então logo tu, transmontano… eu expliquei-lhe: Com a idade comunistas porque da cintura para cima martelo… da cintura para baixo foice… O que o cabrão riu. Uma doutora que almoçava na mesa ao lado quis saber porque é que ele ria tanto e eu: É que com a idade passamos todos a ser comunistas! A gaja, que devia ser toda esquerdalhuda, desatou logo a perguntar qual é o mal de passar a ser comunista e tal… E eu então expliquei-lhe que da cintura para cima martelo… e da cintura para baixo... Epá, o que a gaja riu. Mijou-se de tanto rir! Riu-se tanto, mas tanto, que acho que o marido dela já devia ser p'raí do comité central.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/577589458629907021-7194660739301667643?l=arazaode2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arazaode2.blogspot.com/feeds/7194660739301667643/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=577589458629907021&amp;postID=7194660739301667643' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/7194660739301667643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/7194660739301667643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arazaode2.blogspot.com/2008/03/com-idade-comunistas.html' title='Com a idade comunistas'/><author><name>João Amaral</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-577589458629907021.post-562302762072443852</id><published>2008-03-01T16:40:00.000-08:00</published><updated>2008-03-02T12:02:40.458-08:00</updated><title type='text'>Leolnilda Intrépida</title><content type='html'>&lt;p&gt;Leonilde Intrépida, fugaz funcionária pública na curteza do dia, limava a unha do indicador, falhada, que a impedia de se concentrar devidamente na revista cor-de-rosa que folheava desde as dez e trinta, mais coisa menos coisa, hora em que dera entrada ao serviço. Enlevada na profundeza dos seus pensamentos - saia verde ou camiseiro azul - nem reparou na pessoa que já repousava cotovelos no balcão da repartição.&lt;br /&gt;- É no piso de baixo, obrigada. - A pergunta não interessava. Na verdade e como no piso de baixo se amontoavam muitos e o elevador ainda estava avariado, quando o sujeito desse pelo erro e voltasse, já ela tinha saído para almoço. Este tipo de expedientes não a incomodava. O facto de agradecer sempre, demonstrando assim simpatia pela contrariedade imposta pelo sistema aos pobres dos utentes, trazia-lhe uma auto-solidariedade absolutamente reconfortante. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;E nisto a vida passou-lhe breve. Hoje reformada e junto dos netos vangloria-se do seu serviço público, da folha sem mácula, das notações sucessivas 10 e até de ter escapado à lista dos excedentários, reconhecimento último de uma vida de dedicação. Mas ainda assim se questiona: - E tudo para quê? - Afinal uma incompreendida. Nunca o Guiness lhe apareceu e no entanto todos quantos a conheciam podiam efectivamente atestar que Leonilde Intrépida era rápida, era muito rápida, senão recordista mundial: Leonilde conseguia quase todos os dias sair do serviço às cinco e lá pelas quatro e meia, o mais tardar, já estava em casa.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/577589458629907021-562302762072443852?l=arazaode2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arazaode2.blogspot.com/feeds/562302762072443852/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=577589458629907021&amp;postID=562302762072443852' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/562302762072443852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/562302762072443852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arazaode2.blogspot.com/2008/03/leolnilda-intrpida.html' title='Leolnilda Intrépida'/><author><name>João Amaral</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-577589458629907021.post-211582473633888320</id><published>2007-05-17T18:57:00.000-07:00</published><updated>2008-02-23T19:04:28.837-08:00</updated><title type='text'>Estás?</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não sei porquê, [é mentira, sei mas não te digo!] insisto em telefonar, em deixar o telefone tocar-te indefinidamente. A ver se me atendes, quando e se me atendes, se me ligas, se me percebes naquele momento, se entendes que eu naquele preciso instante estou a erguer um viaduto fininho entre nós. Várias vezes ao dia, sempre para nada de especial, para nada de concreto [claro que sei porque te ligo, o que julgas?] apenas um Tudo bem? E ouvir, ouvir o teu Tudo e os carros, o vento nas árvores… Estás na rua? Sim, vim aqui fazer uma coisa [Aqui onde? Que coisa?] Ah, bom, então nada, não queria nada de especial… e desligo devagarinho, de mansinho, depois de um Então adeus sumido, parecendo não te querer tocar, como para que não sintas a vontade que eu tinha de te escancarar porquês, de dinamitar todas as nossas pontes, de fazer ruir os túneis que nos escavei. Então adeus. Voltar a ligar umas horas adiante, voltar a construir um carreiro sinuoso só para te conseguir sentir de ouvido no auscultador, na minha boca [estarei a maçar-te?]. Logo eu, eu que só quando não ligo sou verdadeira, quando não telefono, quando não dou notícias, quando me silencio sou verdadeira. Desta vez não atendes, não estás para mim. Estarás para ti apenas. Alguém atende e pergunto por ti num tom que tento urgente porém, no vazio da tua ausência, não estou preparada para ter recados para deixar, Diga-lhe por favor que liguei. Diga-lhe também que sou uma parva! Diga-lhe que voltarei a ligar, que voltarei a ser parva como só eu sei ser, mas que… olhe diga-lhe apenas que liguei, isso, e que lhe voltarei a ligar mais tarde. Esqueça essa coisa da parva. Não, espere! Diga-lhe que liguei, que voltarei a ligar e que até sei porque lhe ligo, mas que nunca lhe vou dizer. Não, não a si. Não lhe direi a ele, a ele entendeu?!... Sim, isso mesmo, a ele [esta parva] e Muito obrigada. Já agora falei com?... Desliga. Olho muda para o telefone. Eu, que quando calo não consigo dizer mais nada que não a verdade. Ligo outra vez, chama, atendes. Posso ouvir?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/577589458629907021-211582473633888320?l=arazaode2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arazaode2.blogspot.com/feeds/211582473633888320/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=577589458629907021&amp;postID=211582473633888320' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/211582473633888320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/211582473633888320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arazaode2.blogspot.com/2007/05/ests.html' title='Estás?'/><author><name>João Amaral</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-577589458629907021.post-177757646089681308</id><published>2006-06-13T00:00:00.000-07:00</published><updated>2008-02-22T20:09:16.690-08:00</updated><title type='text'>Encontro</title><content type='html'>&lt;p&gt;- Tu não és o…?&lt;br /&gt;- Sou.&lt;br /&gt;- Ehh, já lá vão quê, vinte anos?&lt;br /&gt;- Por aí.&lt;br /&gt;- Estás na mesma.&lt;br /&gt;- Tu também. Continuas muito bonita.&lt;br /&gt;- Ora…- A sério!&lt;br /&gt;- Não me faças corar.&lt;br /&gt;- Bonita mesmo. Então e diz-me, casaste? Tens filhos e assim?&lt;br /&gt;- Sim… assim crescidos…&lt;br /&gt;Olha, está um dia óptimo, porque não vamos almoçar ao parque? Está bom tempo, passeávamos um bocadinho, púnhamos a escrita em dia, já lá vão tantos anos, que me dizes?&lt;br /&gt;- Parece-me uma excelente ideia…&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;- Mas se achavas que eu era assim tão bonita porque nunca me disseste?&lt;br /&gt;- Então, nunca te disse porque pensava que não quererias saber de mim…&lt;br /&gt;- Não queria saber de ti?!... Eu!?... Eu era completa, absolutamente apanhada por ti! Mas completamente, sabes?&lt;br /&gt;Olha, ainda guardo um caderno em que só escrevi os nossos nomes. Repeti-os milhares de vezes, Francisco, Maria, Francisco, Maria, Francisco, Ma …&lt;br /&gt;- Francisco!?...&lt;br /&gt;- Sim. Francisco!&lt;br /&gt;- … Mas eu sou António!&lt;br /&gt;- És António!?... Mas que António?!... Tu não és o Francisco, o Francisco Aguiar!?...&lt;br /&gt;- Não. Eu sou o António! António Fernandes…&lt;br /&gt;- Ahh!…&lt;br /&gt;António Fernandes!?...&lt;br /&gt;- Sim, o António, aquele amigo do Francisco…&lt;br /&gt;- Ehh… Desculpa, mas não estou a ver…&lt;br /&gt;- Então e o nosso almoço, o passeio no parque?&lt;br /&gt;- Talvez noutra altura António, eu também não tinha lá muito tempo…&lt;br /&gt;- Maria... Olha para mim. Eu sou o Francisco. Estava só a brincar!&lt;br /&gt;- Ok, ok, Mas eu não estava a brincar, quando disse que não tinha tempo…&lt;br /&gt;- Não percebeste. Maria, o António não existe, o António nunca existiu. Só eu, o Francisco! Estava a brincar. Foi uma brincadeira parva!&lt;br /&gt;- … Francisco!?...&lt;br /&gt;- Mas claro, quem haveria de ser? Quem haveria de ser.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/577589458629907021-177757646089681308?l=arazaode2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arazaode2.blogspot.com/feeds/177757646089681308/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=577589458629907021&amp;postID=177757646089681308' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/177757646089681308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/177757646089681308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arazaode2.blogspot.com/2008/02/encontro.html' title='Encontro'/><author><name>João Amaral</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-577589458629907021.post-1097415547611672241</id><published>2006-05-15T19:04:00.000-07:00</published><updated>2008-02-23T19:38:17.633-08:00</updated><title type='text'>E Floripes foi...</title><content type='html'>&lt;p&gt;- Prepara-me o saco que vou para Espanha à caça neste fim-de-semana! Diz Martins.&lt;br /&gt;Floripes, mulher de Martins, desta feita não se contém e diz, num espantoso assomo de coragem que até a ela própria pasmou: - Eu também vou!&lt;br /&gt;- Também vais?!... Surpreendeu-se Martins, pelo inusitado da resposta de Floripes, sua mulher.&lt;br /&gt;- Sim, também vou! Passo os dias p'ráqui enfiada! E não quero ir contigo, está descansadinho, vou agora para o mato aos tiros!... não senhora, deixas-me em Badajoz que eu lá me arranjo!&lt;br /&gt;- Tem juízo ó mulher, mas será que não percebeste? Vou à caça!&lt;br /&gt;- Sim sim, percebi perfeitamente. E já te disse que também vou! Não à caça, mas para Badajoz. Deixas-me na ida e apanhas-me no regresso.&lt;br /&gt;- Isto é coisa só de homens! Mas onde é que já se viu?! Vamos à caça mulher, não vamos às compras! Era só o que me faltava. &lt;em&gt;Também vou…&lt;/em&gt; pfff, é que nem a brincar! Nem a brincar mulher!&lt;br /&gt;- Já disse que vou e agora é que vou mesmo! Desafia contente Floripes, mulher de Martins, porque sem pensar e num repente até se consegue sentir gente. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Martins avermelhou, levantou-se, atirou com o jornal para o sofá e entre dentes rosnou: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não vais a parte nenhuma e está o caso arrumado! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas Floripes não se ficou.&lt;br /&gt;- Ora a ver vamos se vou ou não vou! Rematou Floripes, animada com o próprio tom da sua voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À hora da partida a geleira com o farnel, o saco de Martins ao lado das espingardas, a mala da Floripes a par das cartucheiras e a bagageira do jipe um ovo bem arrumadinho. Floripes já sentada espera Martins que devagar, com um ar visivelmente contrariado e envergando o camuflado, acaba por sair de casa e entrar no carro. Nem uma palavra. O pensamento de Floripes voa livre por Badajoz! Desta vez quem comprará os caramelos é ela própria, olarilas! Os caramelos e o que mais se verá! Ah doce vitória Floripes, doce vitória!&lt;br /&gt;Martins, depois de ajeitar o banco e de compor os espelhos retrovisores, depois de sintonizar o rádio e de ajeitar a nossa senhora de Fátima no tablier, olha enfastiado e de soslaio para Floripes. Uma Floripes impávida de olhar fixo, apesar de ruidosamente empenhada em descolar com a unha um caramelo espanhol que se lhe colou à placa, conserva a mão, firme e obstinada, na pega por cima da janela. Martins dá então à ignição. Não se resignava ao fim de semana arruinado. À sua frente o portão da garagem que seria necessário abrir oferece-lhe uma derradeira oportunidade. Pensou no fim de semana, coisa de homens, caça em Espanha... tudo a fugir-lhe. Ah Martins, nem és homem! Ai não que não sou! Vamos lá ver se ela fica ou não fica.&lt;br /&gt;- Ó Floripes, vais ali abrir o portão, vais? &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/577589458629907021-1097415547611672241?l=arazaode2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arazaode2.blogspot.com/feeds/1097415547611672241/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=577589458629907021&amp;postID=1097415547611672241' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/1097415547611672241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/1097415547611672241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arazaode2.blogspot.com/2006/05/e-floripes-abriu.html' title='E Floripes foi...'/><author><name>João Amaral</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-577589458629907021.post-6894838394687672949</id><published>2006-05-12T00:00:00.000-07:00</published><updated>2008-02-23T02:49:50.014-08:00</updated><title type='text'>Sou feliz, acho</title><content type='html'>&lt;p&gt;Regresso a casa com a Rhenish de Schumann no carro. Não dou pela viagem. Aumento o Schumann aquando da nicht schnell. Chego a casa, estaciono na garagem onde o Mercedes do António já dorme [o António já chegou, que bom] e saio do carro. Schumann ainda tenta sem sucesso impor-se à melodia irritante do elevador [não me posso esquecer de pedir ao senhor do segundo para sintonizar o rádio do condomínio num posto decente]. Casa. O tempo de os beijar a todos, de tirar os sapatos e de lavar as mãos, passar pelo micro-ondas o que a dona Emília fez, destapar a salada, chamá-los, sentarmo-nos todos e servirmo-nos. Jantar. O dia todo, as escolas, os projectos, o fim-de-semana e aquele filme, - Nem pensar que vamos outra vez almoçar com a tua irmã! - Vai estar sol, ouvi no telejornal. Agora só nós dois nos despojos da refeição, só eu e o António, de copos na mão a rapar o fim do dia, a beber a noite, um tinto encorpado [ainda te gosto do cheiro, do teu hálito. Ainda te desejo quando é o teu pé nas minhas pernas, entre as minhas calças, que me chama]. Banho. O António levanta a mesa e arruma a cozinha. Os pratos, a loiça na máquina enquanto me ensaboo, o arrastar das cadeiras, o amaciador. O fechar da luz da cozinha, o creme nas pernas. Olho-me ao espelho sem o que sou para todos os outros. Vejo-me branca, clara, talvez vazia, talvez limpa. Fecho os olhos e a televisão na sala muito alta. Saio e a Joana pergunta se amanhã a levo a casa da Inês - Mas claro querida! O Francisco, com um resto de pasta no canto da boca, despede-se de sobrolho compenetrado no teste de física da primeira hora da manhã. - Vai correr bem querido, vais ver! Quarto. Vestir pijama, o roupão.&lt;br /&gt;Sala. Afluente do Zêzere com seis letras, …Unhais? As palavras cruzadas do António agora completas no sofá ao lado do nosso. Recolho as pernas e aninho-me no seu peito. Ainda gosto do cheiro do António [agrada-me o quente do teu cheiro]. O debate, eloquente no argumento mas vazio no conteúdo e zap, os leões em repasto na savana. Mais um zap e é o pastor Juçaír que ao que parece tem um contrato de exclusividade com Cristo, Senhor nosso Deus, onde está escrita uma cláusula e… zap, mais uma novela, - Olha esta já tão velha! e zap, zap e mais zap! Quarto. Deitamo-nos. Na penumbra que nos cai nos olhos resta a luzinha do oratório. Sussurramo-nos baixinho enquanto as nossas mãos, as mãos do António no meu corpo todo. Fecho os olhos. Beijamo-nos demoradamente e as línguas uma na outra, ora se aproveitam ora se desleixam. Entrego-me às suas mãos que me agarram bem segura pelas orelhas das ancas. Ajeito-o suave com uma mão, enquanto com a outra lhe persuado as nádegas. Vejo-nos no reflexo do espelho da cómoda e zap, somos leões no repasto da savana. Massaja-me os cabelos, a crina e zap, agora sou uma égua e o António que me espora, toca burrinho para Azeitão carregadinho de feijão… zap e agora sou apenas um dedo frenético no meu botão do comando, zap e já paguei este mês à empregada, zap e o relatório completo e entregue, zap que é agora, o botão do volume, zap e ...&lt;br /&gt;Dormir. Desfalecemos lentamente. Tapamo-nos. Vem-me à cabeça que Deus é o lado fresco da almofada. Entre a cabeça e o ombro um braço e eu deixo-me adormecer na concha do seu corpo. Fica a dormir aqui dentro. Sono, tanto sono. Amanhã visto o saia-casaco creme novo. Sono, tanto sono, sou feliz, acho. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/577589458629907021-6894838394687672949?l=arazaode2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arazaode2.blogspot.com/feeds/6894838394687672949/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=577589458629907021&amp;postID=6894838394687672949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/6894838394687672949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/6894838394687672949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arazaode2.blogspot.com/2006/05/regresso-casa-com-rhenish-de-schumann.html' title='Sou feliz, acho'/><author><name>João Amaral</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-577589458629907021.post-2126214500383833209</id><published>2006-05-09T00:00:00.000-07:00</published><updated>2008-02-22T20:17:43.568-08:00</updated><title type='text'>Eu parva...</title><content type='html'>&lt;p&gt;Bem sei que eras de outra e eu não era senão uma segunda, mas que diabo era escusado tanta festinha, tanto sorrisinho, tanta ternura. Sim, ternura que eu vi, se pensas que não vi. Eu bem vos vi aos dois pombinhos, juntinhos, agarradinhos de mãozinhas dadas a encostarem-se cabeças enquanto na voltinha das montras. Sim, ternura. As montras cheias de ternura que tu lhe compravas aos sacos e eu aqui, domingo inteiro sozinha. Eu para aqui segunda, eu a outra, a que só queres de noite, a que te dá o que essa te não dá. Ternuras. Eu aqui em segundo lugar. E tu a dizeres-me que era para o mês que vem, que agora não que a mãe dela doente. Carinho. Que agora não que o cão morreu, que agora não que é ela quem está muito doente, que era no fim do ano. Ternura. Que no fim do ano, que a doença a levava, que agora não coitada, tão doente. E eu parva a julgar-me a primeira, eu parva a ter-lhe pena. Eu parva a perguntar-te até se uma sopa, se um caldo, uma canjinha se tu quisesses, que eu fazia. Coitada, ainda tão nova. Os médicos a emprestarem-lhe uns meses apenas. Coitada. Coitada mas é de mim a imaginar-me no fogo de artifício da Madeira, já este ano, no fim do ano, parva. Eu parva que tu só me queres para isso, sim para isso mesmo. Uma parva. Não, não me calo isso querias tu, que eu me calasse. Parva. Não me calo não senhora e nem a merda do soutien aprendeste ainda a tirar! 'Tá quieto parvo, larga! Vês como é, é assim meu parvo!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/577589458629907021-2126214500383833209?l=arazaode2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arazaode2.blogspot.com/feeds/2126214500383833209/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=577589458629907021&amp;postID=2126214500383833209' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/2126214500383833209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/2126214500383833209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arazaode2.blogspot.com/2006/05/eu-parva.html' title='Eu parva...'/><author><name>João Amaral</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-577589458629907021.post-2494583171272223209</id><published>2006-04-17T00:00:00.000-07:00</published><updated>2008-02-22T20:11:33.065-08:00</updated><title type='text'>Para sempre</title><content type='html'>&lt;p&gt;Eu amo-o, claro que amo, como é que poderia não o amar? Seria como se não nos amássemos a nós próprios, entende? Casámos… Estamos casados há vinte e dois, não!, já lá vão vinte e três anos – como o tempo passa – e os nossos filhos aí estão, uns homens. Nunca nos deram problemas, estão ambos na universidade. O Pedro a acabar engenharia mecânica e o Miguel em gestão e a acabar o primeiro ano. Excelentes alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que poderia não amar o Zé?! Ouça, uma vida! O Zé é a minha vida. Conhecemo-nos ainda miúdos, namorámos dez anos certinhos. Naquela altura não era como agora, você sabe como era. A nossa lua-de-mel foram uns diazitos em Vila Nova de Cerveira, no Minho, e mesmo assim a minha sogra foi lá ter connosco ao terceiro dia. E pensar que aquilo na altura até me pareceu normal! E uns diazitos porque o Zé não podia faltar ao serviço e precisávamos muito daquele emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhe, vou confessar-lhe uma coisa que pode até nem acreditar, mas nunca conheci outro homem que não o Zé!... E quando digo conhecer nem sequer falo no sentido bíblico, se é que me faço entender. Nunca tive outro namorado que não o Zé. Uma outra boca que me beijasse, uns outros braços que me abraçassem, outras mãos, um outro homem. Já o Zé não que eu sei. Ele lá teve as suas namoradas, quer dizer uma ou outra e ainda antes de casarmos que eu vim a saber, mas depois de casarmos não, depois não... Pelo menos que eu saiba não! Não. O Zé é como eu, percebe? Sempre com as suas coisas. De há uns anos para cá arranjou a maluqueira com o golfe, mas mulheres não, nada de mulheres. Por isso amo o Zé, entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que amo o Zé! Bem, nunca foi uma coisa assim como se vê nos filmes, mas a vida também não é um filme, as pessoas é que julgam… A vida é a vida, não é filme nenhum! Às vezes penso que se a vida fosse um filme seria uma comédia negra, ou então um daqueles filmes muito compridos e maçadores que quase ninguém vê. Às vezes apanho-me a fazer estas comparações sem sentido. Dou por mim nestas comparações... Se a vida fosse uma música seria um tango, mas nunca uma valsa. A valsa é muito certinha, muito simétrica e já o tango é mais animal! O tango é fatal, como a vida é afinal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas sinto amor, claro que sinto amor! Eu já não conseguiria viver sem o Zé. Não sei o que fazia se o Zé me morresse ou então pior ainda, se me deixasse! Acho que morreria. Mas se não morresse casava logo a correr. Agora que os nossos filhos já estão criados, agora que já não sou propriamente nova... Quarenta e cinco anos!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Claro que amo o Zé! Nunca me passaria pela cabeça outro homem que não o Zé. Sempre o Zé, mesmo com os tacos de golfe e os fins-de-semana em que já não sei nada dele, mesmo quando nós na cama e não lhe sinto o corpo. Mesmo quando ali fico sozinha a ouvi-lo dormir, mesmo quando se despacha e se desembaraça de mim. O Zé. Mesmo que eu ali fique, mesmo que já não com o corpo dele no meu, porque o corpo do Zé é afinal o meu e como é o meu não o sinto. Mesmo assim. Um outro homem seria uma traição das grandes, e não apenas ao Zé mas a mim própria! Uma facada em tudo o que passámos, percebe? Uma facada. Por isso as pernas, estas suas pernas que agora sinto nas minhas, facadas! As suas pernas, o seu corpo todo no meu e você ainda aí acordado e a olhar-me assim, facadas! Estas suas mãos… Isto são facadas! Mas mate-me outra vez, venha, vamos morrer outra e outra vez e diga-me como disse ainda há poucochinho, que me ama!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/577589458629907021-2494583171272223209?l=arazaode2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arazaode2.blogspot.com/feeds/2494583171272223209/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=577589458629907021&amp;postID=2494583171272223209' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/2494583171272223209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/2494583171272223209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arazaode2.blogspot.com/2006/04/o-z-minha-vida.html' title='Para sempre'/><author><name>João Amaral</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-577589458629907021.post-6228260947349869261</id><published>2006-04-03T00:00:00.000-07:00</published><updated>2008-02-22T20:09:24.252-08:00</updated><title type='text'>Que reste-t-il</title><content type='html'>&lt;p&gt;Deixo o crochet no sofá e ligo o rádio. Não o rádio agora mas o aparelho em cima da cómoda, aquele, o dos botões brancos, o rádio. O mostrador decente, por onde passeávamos entre Algéria e Londres se o tempo estivesse bom, se no céu as estrelas, as estrelas como esta noite. Ligo o rádio e um ponto de exclamação acende verde, demoradamente, a aquecer entranhas de válvulas enquanto lhe rodo os botões. Abro a janela e as estrelas, válvulas que se não fundem como as do rádio as estrelas. Rodo os botões, giro a cabeça no céu e tento encontrar o posto, a constelação, onde se ouvem os meus vinte anos, ainda antes dos trinta, antes dos quarenta. Sintonizo a estação e os meus vinte anos a embalarem-me menina à janela, sob as estrelas desta noite em que não faz frio, mas que frio, tenho vinte anos. Tenho vinte anos, estou à janela e o António a chegar! São horas e ele já não deve tardar, são os meus vinte anos naquela janela, não sob estas estrelas, que como válvulas se não fundem, mas na janela à tardinha onde te esperava António e tu vinhas, alegre António, passeares debaixo da janela e eu António, não a largar o crochet como agora, não o crochet que aos vinte anos não, não António, eu a largar o rádio, o rádio que ouvia quando tu não estavas, quando tu por acaso não vinhas, quando te atrasavas. Quando te atrasavas António e eu à janela, não a esta janela, mas à janela onde não chegavas, onde me olhavas ameaçando subir e eu António a sorrir. Um dia subiste António, subiste-me pela vida fora até aos cinquenta e depois desceste António. Desceste e eu fiquei à janela mesmo depois da música acabar, depois do céu encobrir a janela e tu nunca mais vieste António. Agora o crochet distrai-me das estrelas que lá fora na certa António brilham, claro que brilham para quem à janela espera josés, joões, manuéis e mesmo outros antónios mas não o António, o António que conheci antes desta maldita vida afinal tão curta. Por isso este crochet todas as noites e as nossas filhas António, que te têm muitas saudades tu sabes, mas que a vida, o crochet António, as não deixa ir ao cemitério. Os nossos netos António, uns homens...&lt;br /&gt;Escuta António, enquanto desfaço aqui um bocado do crochet que derivado aos olhos molhados de ti António atrapalhei, senta-te aqui ao rádio António e diz-me outra vez, diz-me outra vez que era eu António, diz-me que eras comigo outra vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/577589458629907021-6228260947349869261?l=arazaode2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arazaode2.blogspot.com/feeds/6228260947349869261/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=577589458629907021&amp;postID=6228260947349869261' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/6228260947349869261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/6228260947349869261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arazaode2.blogspot.com/2006/04/deixo-o-crochet-no-sof-e-ligo-o-rdio.html' title='Que reste-t-il'/><author><name>João Amaral</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-577589458629907021.post-2287750098661557648</id><published>2006-03-28T00:00:00.000-08:00</published><updated>2008-02-22T20:09:12.480-08:00</updated><title type='text'>O último tango de uma divorciada na Ajuda</title><content type='html'>&lt;p&gt;Quando me conheceste e me quiseste logo e eu te disse que não, que ainda era cedo pois se agora mesmo nos tinham apresentado e tu insististe e eu não cedi, fiz mal. Quando me amassaste toda nas escadas e eu te disse que claro que não era por mim, mas antes pela minha tia, que acordada e à minha espera nos espiava na certa e por isso não entraste na minha casa, não estraste em mim, fiz mal. Sempre que pedi para que te guardasses, para que nos guardássemos para o dia e esse dia que não veio... Era se calhar um daqueles fins-de-semana a ver-o-mar que afinal não calhou. Não era este meu mar da Ajuda, que este mar não é mar é Tejo e mesmo para Tejo ainda lhe falta rio. Nada. Quase nada. Não te pedia quase nada, nada de grandes voos que eu sou alma simples, tu bem sabes eu disse-te, ou se calhar não te disse, nunca chegaste a saber, fiz mal. Bastava-me a Praia das Maçãs, ou melhor, a Praia Grande... vês, tão perto. Bastava-me um daqueles quartos, se calhar com mofo não importava, sobre a piscina. Mesmo que fosse um fim-de-semana de imitação, daqueles em que fingíamos ser quem somos, pelo menos uma vez. Quis fingir, fiz mal. Um fim-de-semana em que fingíamos ver o mar e passeavámos de braço dado. Sempre que insistia para que nos adiássemos fiz mal. Mesmo no sofá da sala, a minha tia que não estava e tu a esqueceres o teatro, a mostrares-me que me escalarias ali e eu apenas no amarrotar da blusa, no contorno dos lábios que tanto trabalho, eu apenas no risco e no borrar do batom que é o cabo dos trabalhos para sair, eu na malha porque as meias uma fortuna e ainda para mais sem ter outras. Eu descomposta, desalinhada, me levantava e levava a espia única em que te penduravas, recolhia o cordame e te deixava despenhar com ruído, desamparado, no sofá, contrariado. Eu que ainda assim e depois do jantar a brincar com a frase do filme te quis sentir, &lt;em&gt;is that a gun in your pocket, or are you just happy to see me &lt;/em&gt;... e mesmo assim te deixei fugir, fiz mal. Eu a sair do teu carro, dos teus vidros embaciados, mesmo que os vizinhos embaciados, mesmo que a rua toda embaciada. No cinema, quando a tua mão me procurava e eu te repelia, fingindo-me incomodada e a ameaçar velada que te deixava sozinho, que me vinha embora, fiz mal. Na loja, nos gabinetes de prova, nos provadores sim nos provadores, a quereres provar-me ali mesmo e eu a empurrar-te primeiro a rir e depois sempre com o meu ar sério, fiz mal. Nas lojas eu a não querer ser como outras, eu a imaginar-me diferente das tuas outras, a querer ser uma outra, a recusar os teus presentes e aquele anel meu Deus, a dizer que tivesses juízo, meu Deus aquele cachucho, a recomendar-te prudência e o anel a acenar-me, estúpida, tão estúpida, fiz mal. Eu e as minhas palavras caras, eu a insistir em dizer coisas que não entendias, a dizer-te que sim, licenciatura em germânicas, era germânicas no meu tempo, como se importasse exibir-te a tua ignorância, como se fosse correcto corrigir-te, fiz mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou só. Mesmo assim vesti aquela blusa branca e o saia casaco que tanto gostavas. A meia de rede e o salto castanho. Fui ao cabeleireiro, depilação e aproveitei para tratar das mãos, unhas de gel. O batom com o traço e o risco nos olhos. Pus o anel de brilhantes, o dos zircões, nada a ver com aquele dos brilhantes a sério, nada daquele cachucho, ò meu Deus aquele cachucho. Sento-me à bordinha do sofá da sala. A telenovela e depois a sessão da noite. Podia ser cinema mas não há bilhetes. Não consegui os bilhetes para o filme da minha vida. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/577589458629907021-2287750098661557648?l=arazaode2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arazaode2.blogspot.com/feeds/2287750098661557648/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=577589458629907021&amp;postID=2287750098661557648' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/2287750098661557648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/2287750098661557648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arazaode2.blogspot.com/2006/03/o-ltimo-tango-de-uma-divorciada-na.html' title='O último tango de uma divorciada na Ajuda'/><author><name>João Amaral</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-577589458629907021.post-3744775286814707277</id><published>2005-12-11T00:00:00.001-08:00</published><updated>2008-02-23T02:55:43.086-08:00</updated><title type='text'>Quatro é bom, seis é multidão</title><content type='html'>&lt;p&gt;Tenho um amigo psiquiatra. Costumo visitá-lo à hora da consulta. Ele não se importa. Eu pago a hora. Visito-o uma vez por semana. Houve tempos que eram duas vezes, mas ultimamente temos sentido menos saudades. Falamos de tudo ou melhor, de quase tudo. Ele fala pouco das suas coisas. Na verdade ele fala muito pouco. É um tipo reservado. Em contrapartida eu compenso. Sou um tipo franco e aberto e comigo é tudo pão-pão, queijo- queijo! Digo o que tenho a dizer e não escondo nada. Sou assim, tudo ali bem preto no branco! Ele fica na penumbra aos hums hums. A tomar notas. Acho que é um vício profissional, nada a fazer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo-lhe da Cláudia. Ele sabe. Pudera! A Cláudia! A Cláudia é aquele pedaço de descaminho que me atazana a vida. Conto-lhe que a convidei para jantar e que ela aceitou. Como era de esperar depois do jantar acabámos enrolados no Requinte, que eu não chego ao D. Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto aquecíamos a coisa prometia, mas mal caímos na cama senti qualquer coisa, sei lá, parecia que se afastava de mim...Perguntei:&lt;br /&gt;- Mas então, passa-se alguma coisa querida?&lt;br /&gt;- É que… sabes … tenho aqui o meu Tó!&lt;br /&gt;- Quem?&lt;br /&gt;- O Tó!&lt;br /&gt;-... Mas que Tó?...&lt;br /&gt;- O meu Tó.&lt;br /&gt;- Quê? Onde?... Como?...Gaita, que por momentos cheguei a pensar que …&lt;br /&gt;- Mas tu és tonto ou quê?!... O que quero dizer é que … é como se ele aqui estivesse, compreendes? Aqui, deitado a meu lado, percebes?!...&lt;br /&gt;- Não, não percebo. Diz-me lá como é que tu ficarias se eu agora te dissesse que estava aqui com a Joana.&lt;br /&gt;- Mas estás?!...&lt;br /&gt;- Estou o quê?&lt;br /&gt;- Estás com ela, com a Joana.&lt;br /&gt;- Mas tu estás boa!?...&lt;br /&gt;- Não me digas que consegues estar aqui sem te lembrares dela!&lt;br /&gt;Pois… se calhar isto para ti é normal. Como é que te haverias de lembrar dela, se calhar lembras-te é de outra qualquer que também trouxeste aqui…agora reparo; tu realmente vieste logo muito direitinho…&lt;br /&gt;- Ora, não me lixes…&lt;br /&gt;- «Não me lixes!?» É tudo o que tens para me dizer? Típico...&lt;br /&gt;- Claro que isto para mim não é normal, aliás como tu bem sabes. Tu és… …um caso à parte… e claro, claro que não consigo esquecer-me da Joana, mas sabes bem que isso num homem é diferente…&lt;br /&gt;- Ah! Então ela também está aqui…&lt;br /&gt;- Mas que disparate, claro que não está aqui, o que eu te quis dizer é que é normal não me esquecer da Joana, afinal ela é a minha mulher…&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;- E o Coelho…&lt;br /&gt;- Desculpa?...&lt;br /&gt;- O Coelho, o meu médico, o Coelho Vermelho…&lt;br /&gt;- Sim. o que é que tem o teu médico?&lt;br /&gt;- Também está aqui.&lt;br /&gt;- Mau, mas querem ver! Então esse senhor, além de ter um nome que é uma anedota romba ainda tem a distinta lata de se vir deitar na cama de motel onde eu por acaso estou… e comigo a pagar!… Bonito, sim senhor. Mas ouve lá ó Cláudia, mas então o que vem a ser isto!?...&lt;br /&gt;- Ora, deixa-te de dramas. Não te recordas daquele anúncio da sida em que aparecia um casal abraçado numa cama enorme, cheia de homens e mulheres de cada um dos lados? A ideia era chamar a atenção para os parceiros que cada um teve antes de terem chegado ali… Percebes?&lt;br /&gt;- Ok, certo, portanto além do Tó e do teu Coelho Encarnado…&lt;br /&gt;- Vermelho…&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Vermelho, o meu médico chama-se Coelho Vermelho, não é Encarnado…&lt;br /&gt;- Encarnado, vermelho, é indiferente para o caso. Então além do Tó e desse tal de Coelho, ainda me vens com as histórias da sida… diz-me lá Cláudia, tu estás mesmo a fazer de propósito não estás?!... Confessa lá…&lt;br /&gt;- Deixa-te de coisas e ouve; Esse anúncio é um bocadinho como a nossa cabeça, percebes? Eu não consigo ir para a cama com ninguém, nem mesmo com o Tó sem levar a minha mãe…&lt;br /&gt;- Sem a tua mãe?!... Ó minha mãe do céu! Muito sinceramente começo a ter sérias dúvidas sobre se tu jogas com o baralho todo. Com a tua mãe!?... Mas claro, se tu fosses toda certinha não estarias aqui, nem estaria aqui o teu tal Coelho! Era menos um…&lt;br /&gt;- E tu, estás a falar p’raí a falar e também fazes análise…&lt;br /&gt;- Mas faço análise o quê?! … Vou ao Fragoso, que é um porreiro e que me atura…&lt;br /&gt;- A pagantes já se vê.&lt;br /&gt;- Mas pago porque quero, para não me sentir mal. O Fragoso sempre me disse que se não me desse jeito…&lt;br /&gt;- «Desse jeito»…ora, ora estamos a falar de pagar… de dinheiro ...pilim ... graveto...&lt;br /&gt;- Que seja, muito bem! Faço análise, pronto. Reconheço. Agoras estás contente!?... A diferença é que não ando por aí com o Fragoso, em motéis de subúrbio…&lt;br /&gt;- Pois não, andas comigo.&lt;br /&gt;- …ah!?...&lt;br /&gt;- Pois, com o Fragoso não, que é amigo…&lt;br /&gt;- … não... querida, bem sabes que não era a isso que eu me referia… pensava que tínhamos acordado neste hotel. A relação preço qualidade…&lt;br /&gt;- E o João!&lt;br /&gt;- João, outro gajo?! Mas quem caralho é esse agora!?...&lt;br /&gt;- O João foi o meu primeiro namorado… e já agora escusas de gritar…&lt;br /&gt;- Cum caraças! Mas agora de onde raio é que tiraste esse João!?... Tu achas que a cama ainda aguenta?&lt;br /&gt;- O João já morreu, teve um acidente de viação…&lt;br /&gt;- Epá, isto é que não! Isto agora ultrapassa todas as marcas… um morto, até um gajo morto!?...&lt;br /&gt;- Era um querido o João. Estávamos noivos. Se não tivesse morrido naquele acidente estúpido talvez nunca tivesse havido um Tó na minha vida … ou mesmo tu … ou até o Coelho Vermelho…&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;Sentei-me e preparei-me para me vestir. Com a entrada em ringue do tal morto-vivo João senti-me claramente em desvantagem. Ela continuava deitada, seminua e com um mamilo, o do peito esquerdo a apontar para mim. Inclinei-me, fiz-lhe uma festa no cabelo e sussurrei-lhe ao ouvido:&lt;br /&gt;- Olha, tu tiras o morto que eu do meu lado tiro a Joana…&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/577589458629907021-3744775286814707277?l=arazaode2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arazaode2.blogspot.com/feeds/3744775286814707277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=577589458629907021&amp;postID=3744775286814707277' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/3744775286814707277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/577589458629907021/posts/default/3744775286814707277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arazaode2.blogspot.com/2008/02/tenho-um-amigo-psiquiatra.html' title='Quatro é bom, seis é multidão'/><author><name>João Amaral</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
